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EURICO GONÇALVES Ana Maria Pintura minucio sa e enigmática como um complexo labirinto. Nascida em 1959, em Lisboa, licenciada em filosofia na faculdade de letras da universidade do porto, Ana Maria é uma pintora autodidacta de reconhecido mérito. Expondo desde 1984, cedo se revelou um caso de inegável autenticidade e originalidade. Tive a honra e o prazer de ter feito parte do júri que a distinguiu com o Prémio Nacional de Pintura de Júlio Resende, em 1990.A sua obra surpreende e fascina pelo modo meticuloso como concebe uma imagética minuciosa, que se organiza como um complexo labirinto de sentido enigmático na fronteira da figuração/abstracção. O labirinto é um arquétipo universal que na sua obra, adquire pertinente significado ao tentar responder ao enigma da própria existência humana. “Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou?” É compreensível que tão inquietante temática necessite de todo o tempo da vida para sair da obscuridade e reencontrar a luz que ajude a esclarecer os mú...
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COMO SE O MUNDO FÔSSE UM PARQUE Jorge de Sena, avisadamente, aconselhava que todos os textos críticos deveriam ser encabeçados pelo título de Wackenroder: “Efusões Sentimentais de um Irmão Leigo, Amante das Artes”. Jorge de Sena tinha razão… Plantar flores de chá e abrigar as memórias, executar gestos ancestrais de todos os tempos e atracção pelo imenso saber do sabor a chá, mais ou menos límpido ou turvo de pó, restos de folhas que o foram, perspectivam harmonia, respeito, pureza, tranquilidade. Apreciar o chá e dissolver o corpo no universo eterno: o mundo de Ana Maria é rico, grande. Mundo que não pressupõe ponto de vista único e espectador imóvel. Este tem que trabalhar, impelido para acompanhar todas as alterações de perspectivas e camadas de ilusão. Na sua força expressiva, feita para fascinar, tem essa qualidade e essa verdade, um caso à parte que cativa ao primeiro olhar, nos impede de ficar aqui parados e obriga a contínuos regressos ao pormenor. Conteúdos nada ...
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Higher still and higher From the earth thou springest, Like a cloud of fire; The blue deep thou wingest, And singing still dost soar, and soaring ever singest. Ode to a Skylark. Shelley My painting could be a skylark. The painting of the body –or the last metaphor it is a reflex (ion)-the action on space occupation in painting and the possibilities of the gestures when painting that movement that never repeats itself no matter the brain effort and enthusiasm to duplicate the initial result. It is a struggle between the mental copy and the improvisation of action-the thought that wants to turn into understandable expression and the gesture movement that wants to be. That is the reason why the body is still free and mad. The body is the before and the after, it inhabits and empties the space that is the distance between me and my geographical place. My painting is the body that gets the light and the spark /glow that comes from the glowing...