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A pintura pode propor caminhos de errância. Pode inventar geografias do mundo, plasmando afectos de lugares que só têm sentido quando se viaja sem bagagem e se está disponível para sentir o chão que pisamos. Ana Maria tem o sentido maior deste caminhar numa sublime paisagem – quase aérea, quase etérea – como se de um imenso rendilhado se tratasse. Afinal pode ser efémera ou nula a importância dos lugares de partida ou dos lugares de chegada quando, olhando este conjunto de pinturas e desenhos, nos apercebemos desta espécie de continentes flutuantes que não procuram nenhum porto como morada. É um trabalho de minúcia exaustiva, de contenção cromática, caminhos de fragmentos que se alinham e desalinham, que se aproximam e se afastam, numa lógica que a própria pintura sustenta e alimenta. É um trabalho que não procura diluir fronteiras entre elementos – a terra e a água (o mar) – aqui assumidos como lugares simbólicos: a pintura alastra, quase ten...
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Caro espectador : - O que eu podia ter sido? O que ainda poderei vir a ser? Se tu me tivesses acompanhado, Tu que me olhas assim, também serias outro? - Agora que estás aí pela primeira vez…. Aqui estou de princípio. Desfeito. Tens esta oportunidade de me veres quase nu, meio vivo, quase grande. Expropriado…Suspenso. Assim parado represento o acontecimento para transformar, para sentir. O branco inacabado onde a criação recomeça….Sabe que mais uma vez me dirijo a si……? - Aproveito para pensar. ana maria