Ana Maria Currículo Nasce em Lisboa em 1959. Em 1982 conclui o curso de Filosofia na Faculdade Letras do Porto, iniciando a sua atividade como docente. Ao mesmo tempo, começa a sua carreira artística em diversos domínios das Artes Plásticas. Desde 1980 que participa em exposições coletivas nacionais e algumas no estrangeiro como: “ A Itinerância da Arte Portuguesa” - Japão em 1998, estando representada em numerosas coleções particulares e instituições públicas. Foi premiada diversas vezes, nomeadamente em 2005 com o Prémio Amadeo de Souza Cardoso. Para além da atividade de pintora, colabora em eventos e oficinas de arte, escreve textos para catálogos e pequenas narrações que ilustra. Publicou um artigo “a palavra de artista” no nº 1º da Revista Bombart. Integrou o Júri do Prémio António Gaio no Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho - CINANIMA – 2010. Tem organizado alguns eventos interdisciplinares,...
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“….a poiesis, o campo que abre e encerra todos os outros, que permite que a experiência da realidade signifique algo mais. O espaço da construção poética, do nosso movimento até à invisibilidade própria dos objectos, mas que é também um movimento até nós próprios. Onde reconhecemos não apenas o objecto, mas nos reconhecemos a nós próprios como seres-no-mundo, seres iminentemente mortais, seres poéticos e criativos. Uma reduplicação da realidade , como lhe chama Foucault. A poiesis é nessa proximidade da morte, a última possibilidade de as coisas se situarem algures para além do tempo, deixando e cravando sobre elas fragmentos da nossa própria existência e do nosso próprio corpo O segredo será sempre como o descobriu Perseu, nunca olhar directamente para o rosto pérfido de Górgona, mas sim, para o seu reflexo no escudo de bronze. Como diz Italo Calvino: É sempre na recusa da visão directa que reside a força de Perseu, mas não numa recusa da realidade do mundo de monstros em q...
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mais vale mudar o figurino do que morrer nas mãos do encenador Todas as cores são formas A matéria é cor Então, a matéria é forma? O que é a arte? O que é a pintura? A pintura é estrutura, é cor, pensamento e este o que é? Vem do fundo de mim ou da mulher de brinco que conteve o choro. Éramos dois, sempre. O encenador entrou no bar quando já não estava ninguém...só garrafas e copos vazios, estava agarrado ao compromisso do amor. Desapontado com o nascer do sol, mandou fechar a porta, as emoções acalmaram. Os momentos de dor maiores que o amor estavam a transformar a leveza em turbulência, a beleza em violência. Durante 25 anos nunca falou da sua arte, não por incapacidade ou desleixo mas por insuficiência de compreensão, desconhecimento. Nunca teve razões para esclarecer ou argumentar sobre questões que se colocam ao artista. Porque o faz? Qual a mensagem? E outras... Anos de embaraço sem respostas. Questionava-se sobre essas evidências de não ter projectos teóricos cap...